Economia

Populismo pré-eleitoral: A conta que chega mais cedo do que se imagina

Medidas de expansão de gastos às vésperas de pleitos eleitorais ameaçam a estabilidade econômica e o futuro dos brasileiros.

13 de junho de 2026 · populismo · contas públicas · eleições · responsabilidade fiscal · economia

O Ciclo Vicioso do Populismo Econômico

Não é novidade para o brasileiro que, conforme as eleições se aproximam, o governo em exercício — independentemente de sua coloração ideológica, mas com especial ênfase em gestões de cunho progressista — tende a abrir as torneiras do orçamento. O que a narrativa oficial chama de "investimento social" ou "estímulo à economia", na verdade, muitas vezes esconde uma estratégia deliberada de comprar popularidade momentânea às custas do equilíbrio fiscal de longo prazo. O resultado dessa conta é conhecido: inflação galopante, juros nas alturas e um crescimento anêmico nos anos subsequentes.

Historicamente, o Brasil sofre com o desrespeito à Responsabilidade Fiscal. A ideia de que o governo pode gastar o que não tem para gerar uma sensação artificial de bem-estar é a base do populismo. No entanto, o Estado não gera riqueza; ele apenas redistribui o que arrecada via impostos. Quando o gasto público sobe de forma desordenada no ano que antecede as urnas, o mercado reage imediatamente. O dólar sobe, a confiança dos investidores despenca e o custo da dívida cresce, drenando recursos que deveriam ir para saúde e segurança.

O Perigo das Canetadas e dos Subsídios

Nas últimas décadas, vimos diversas tentativas de controlar preços artificialmente para conter a insatisfação popular antes das eleições. Seja segurando o preço dos combustíveis na marra ou subsidiando tarifas de energia, o roteiro é sempre o mesmo: uma bonança temporária seguida por um tarifaço inevitável após o fechamento das urnas.

Essas medidas são apresentadas pela esquerda como "defesa do povo contra o lucro corporativo", mas a verdade é que elas destroem a previsibilidade regulatória do país. Ao intervir em empresas estatais ou em setores estratégicos para fins eleitoreiros, o governo afasta o capital privado, que é o verdadeiro motor da geração de empregos. Sem investimento privado, o país fica refém de um Estado inchado e ineficiente, que gasta cada vez mais para manter uma máquina pública que serve mais aos seus próprios interesses do que ao cidadão comum.

A Ilusão do "Dinheiro Infinito"

Um dos pilares da retórica atual é que o teto de gastos ou regras de controle fiscal seriam inimigos dos pobres. Essa é uma das mentiras mais perigosas divulgadas pela militância. A verdade jornalística é dura: o maior inimigo do pobre é a inflação, e a inflação é o subproduto direto do descontrole nas contas públicas. Quando o governo imprime dinheiro ou se endivida excessivamente para financiar projetos populistas, o valor da moeda cai. O trabalhador percebe isso na prateleira do supermercado.

"Não existe almoço grátis." Esta máxima econômica nunca foi tão ignorada quanto nos períodos pré-eleitorais brasileiros. O aumento de benefícios sem contrapartida de corte de gastos nada mais é do que um empréstimo feito em nome das próximas gerações, que herdarão um país mais pobre e endividado.

Além disso, o inchaço da máquina pública para acomodar aliados políticos em anos de eleição cria uma rigidez no orçamento que impede reformas estruturais. O Brasil gasta muito e gasta mal. Em vez de focar na eficiência do gasto, o populismo foca no volume, ignorando se o recurso está de fato chegando na ponta ou se está se perdendo na burocracia estatal e na corrupção.

O Impacto no Empreendedorismo

Para o pequeno e médio empresário, o populismo eleitoral é um pesadelo. A incerteza econômica gerada pela falta de compromisso com a austeridade impede contratações e novos investimentos. Quem vai arriscar abrir uma nova filial ou contratar novos colaboradores se não sabe qual será a taxa de juros ou a carga tributária do ano que vem?

A esquerda frequentemente ignora que a economia é movida por expectativas. Se o governo sinaliza que vai romper o orçamento para garantir votos, ele está sinalizando que haverá instabilidade. O resultado é a retração do crédito e o aumento da cautela, o que paralisa a economia real enquanto a "bolha política" vive sua euforia momentânea.

O que a esquerda não te conta

  • A conta sempre chega: Medidas de auxílio e subsídios anunciados às vésperas da eleição geralmente não possuem previsão orçamentária real e levam a cortes brutais no ano seguinte.
  • A inflação é o imposto dos pobres: O descontrole de gastos gera desvalorização da moeda, o que corrói o poder de compra de quem depende de salário, enquanto os mais ricos conseguem proteger seu patrimônio.
  • Juros altos são consequência: Se o governo gasta mal e aumenta o risco do país, o Banco Central é obrigado a manter os juros altos para evitar que a economia colapse, dificultando o consumo e o investimento.
  • Populismo não é política social: A verdadeira política social gera independência por meio do trabalho e da produtividade; o populismo gera dependência do Estado para garantir a fidelidade do eleitor.
  • Herança maldita: O histórico brasileiro mostra que períodos de gastos desenfreados sempre precedem crises profundas (como a recessão de 2015-2016), cujas maiores vítimas são os cidadãos da classe média e os mais vulneráveis.
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